Cyro dos Anjos

Assim como a Judith Grossmann, Cyro dos Anjos (1906-1994) foi um pioneiro das oficinas de escrita no Brasil.


Nascido em Montes Claros, Cyro foi da geração de mineiros que deram continuidade ao modernismo e que publicaram memórias importantes para a compreensão do movimento nas décadas de 1960-70. Um dos autores dessa geração é o Itabirano Carlos Drummond de Andrade, com quem Cyro tem um volume de correspondências publicado em 2012.


Mas antes disso, Cyro era oficineiro. Em 1962, na UnB, ele começou o ciclo nacional das oficinas literárias. Foi nessa universidade, que tinha acabado de ser criada, e na UFRJ que ele deu a maior parte de seus encontros. É claro que, na época, Cyro e as oficinas sofreram resistências, em especial de outros escritores: é que o ambiente de criação colaborativa deslocava muito do papel de “mestre” do autor. Essa mestria, na oficina, se parecia mais com a de um mestre-carpinteiro ou mestre-cuca: alguém que passa adiante um ofício. Sobre esse assunto, na tese de doutorado de Maria da Graça Assis Cretton (1992), tem uma citação do próprio Cyro:


”Discutirá, pois, o mestre, com o aluno, quais as variedades que a frase comporta, com vistas à expressão adequada. Exercitá-lo-á no manuseio das palavras, no toque leve que dê a frase a energia, a plasticidade, a sutileza, o matiz desejado. Convidá-lo-á a deslocar esse ou aquele vocábulo, a suprimir aquele outro, a limpar a escrita, com a extirpação das adiposidades, a alijar toda carga inútil. Pedir-lhe-á concisão, quando se mostrar prolixo, e explicitação, quando conciso em demasia.”

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