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Editorial | o blog em 2024



 

Em 2023, com poucas palavras, a escola começou a bobina, um espaço de crítica literária ao vivo: publicações contemporâneas, textos curtos. Dar notícia do presente, com os pés no chão e os olhos na viseira: um livro na mão, uma ideia na cabeça.

 

Naquele início, nossa brigada ligeira também teve uma editora convidada: a Julya Tavares, que acompanhou a formação desvio na sua primeira tiragem. Ela fez crônicas, cartas, diários – documentando o processo e convidando gente para escrever a partir de questões que surgiam no caminho. De fantasmas a cantos de trabalho, de sambas-enredo a oráculos e jeitos de fazer mutirão, teve de tudo.

 

Mas, este ano, vamos começar diferente. É que o blog da escola vai crescer mais um pouquinho.

 

A nossa designer, Hana Luzia, deu um destaque maior para os posts na página inicial e bolou um leiaute novo para a aba do blog no site. Assim, ele fica mais arrumado para receber nossas novas seções.

 

Além d’a bobina, que segue no circuito, em 2024 vamos ter também duas colunas autorais ­– escritas por Leonardo Gandolfi e Paloma Vidal – se alternando mês a mês sobre temas variados. E ainda começamos a seção outras paradas – trabalho e autonomia, com textos de pessoas convidadas que vão colocar em questão o reconhecimento e a problematização da escrita como trabalho, a partir, entre outras coisas, “[dos] vários empregos/que tive[mos]/pra chegar aqui“, como no poema de Angélica Freitas.

 

Mas, primeiro, a comissão de frente.

 

Abrindo os trabalhos do blog este ano, publicamos Exercício E e a usina da vida, de Heyk Pimenta com colaboração de Júnio Nascimento e Dandara Ribeiro, bailarinos da Lia Rodrigues Cia. de Danças. O texto é uma crítica do espetáculo Exercício E, de Encontrar e Esperançar, montado no fim do ano passado, em que o poeta lê as formas de criação, conflito e comunidade entre quem dança, sola, organiza e anda em bando, tentando tirar disso um aprendizado para a literatura em contato com outros jeitos de se mexer.

 

Seguindo o abre-alas, publicamos nas próximas semanas “Teu filho venceu, mulher!” – a Portela lê Um defeito de cor, de Bianca Gonçalves e Bate-bolas: a fantasia como vingança, a máscara como expurgo, de Marcos Nascimento. No primeiro, a poeta e crítica escreve sobre o enredo da escola de samba e sua mobilização de elementos de uma ética iorubana e matrifocada a partir do romance de Ana Maria Gonçalves, em diálogo com espiritualidades de matriz afro-brasileira e a narrativa de Kehinde, mãe de Luiz Gama. No segundo, o poeta e cientista social combina memórias de infância no carnaval de Bangu com uma história dos Bate-bolas desde seu surgimento na década de 1930 em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro, chegando a uma análise do papel da violência e das masculinidades nas interações sociais em suas transformações contemporâneas.

 

E, para fechar a programação de março, Beatriz Malcher e Gabriel Gonzalez publicam em coautoria o primeiro texto d’a bobina do ano: uma resenha de Ossário, de Édipo Ferreira. Amarrando duas experiências distintas de escuta do livro – lido pelo autor no seu lançamento, no Rio de Janeiro, e na casa do poeta Márcio Junqueira, em Salvador – os resenhistas ouvem o que fica e o que passa da figura benjaminiana do narrador e das relações entre subjetividade, experiência e relato na escrita (e voz) de Édipo.

 

É, dessa vez não conseguimos começar com poucas palavras.

 

Ano do dragão, sabe como é.

 

Vamos botar o bloco na rua. a escola da palavra.

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